Será que tenho mesmo que aceitar o meu corpo como é?
A batalha com o nosso corpo não deveria existir mas na sociedade actual é o dia a dia da luta interior de homens e mulheres, crianças e adolescentes.
Desde novas as crianças sofrem bullying pela parte dos colegas e isto acontece há anos.
A luta com o corpo não deveria existir, assim como a luta com o alimento, pois vivemos numa era de terrorismo alimentar.
Hoje escrevo sobre este pensamento - Será que tenho mesmo que aceitar o meu corpo como é?- pois, Sim e Não.
Hoje em dia há inúmeras páginas no instagram e facebook de autoaceitação física e ainda bem que as há, sinais de mudança de mentalidades, de empoderamento, de construção de autoestima numa sociedade de pernas para o ar, mas nos meus últimos três anos nos quais tenho vivido em depressão constante e com mais 20kg digo- eu não quero aceitar o meu corpo como está.
O peso não devia ser razão para eu evitar determinadas coisas ou pessoas, mas foi, e sem dúvida que estas páginas inspiradoras levaram-me a ter força e ir a praia com estes 20kg extra, mas a questão passa por muito mais que isso, passa pela minha saúde.
Desde que engordei doem-me os joelhos, as plantas dos pés, ando devagar, não me despacho, estou sempre inchada e desisti de ir as comprar porque "me sinto" (sinto a roupa colada ao meu corpo e causa-me desconforto). Passei a usar roupas mais largas, mas as calças de ganga que aumentaram de um 36 para um 40742 ainda apertam na barriga e deixam-me os pés e pernas inchados.
Não ando sorridente e alegre na rua porque me sinto desconfortável no meu invólucro, além de que sinto o triplo do calor e faço "assaduras" constantes, portanto não, não tenho que aceitar o meu corpo como está quando a nível físico há desconforto e limitações (e não, não estão criadas pela mente).
Existe a história do ovo e da galinha, quem nasceu primeiro, e depois no caso da obesidade e depressão aplica-se o mesmo conceito- "A obesidade causa depressão ou a depressão causa obesidade?" Estudos indicam que pessoas obesas têm mais depressão mas ainda não se concluiu se é a depressão que as levou a comer mais ou comer demais que as levou à depressão.
Confesso que no meu caso dei por mim a desistir de tudo, até actividades prazerosas passaram a ser um esforço e não causar nada dentro de mim e que quando comecei a perder algum peso apercebi-me que fui ficando com alguns momentos de alegria., peso esse que recuperei agora nas férias e dei por mim na semana passada bem apática e outra vez com o sentimento constante de inutilidade.
Com isto chego à conclusão que apesar de adorar uma boa refeição também adoro ter uma vida, sorrir, e sair à rua sem a sensação que "estão a olhar para mim porque estou gorda"- infelizmente isto consta na minha cabeça muitas vezes.
Não é nada fácil emagrecer, eu sou um "io io" das dietas há anos, mas nunca pesei tanto e também nunca me custou tanto manter uma consistência para emagrecer pois quanto mais peso mais inflamação e mais adição a açúcares e refinados, uma adição que causa até alteração de humor que só ameniza quando se alcança o alimento que algo tóxico interior está a pedir.
Aceito que nunca vou ter barriga "chapa" ou corpo XPTO, mas não aceito estar a ser escrava da comida, ser escrava do meu peso e do peso que carrego às costas e escrava das dores físicas causadas pelo excesso de peso.
Olhar ao espelho e ver o meu duplo queixo incomoda-me, umas bochechas a engolir um rosto, portanto se tudo isto me incomoda porque é que tenho que aceitar o meu corpo como está? Não tenho que aceitar um corpo que me causa desconforto e dor quando eu tenho o poder e oportunidade de o mudar antes que se torne doente. Aceitar seria conformar-me e viver naquela alegria forçada à espera que a doença batesse à porta mas pergunto-me, porque me custa tanto perder peso? Porque estou deprimida, e fazer dieta "causa depressão". Acontece uma tristeza ao perder peso, é científico, e não durante toda a perda mas no início pode ser forte e leva-nos a desistir ou a ceder. Sempre fui bastante determinada mas confesso que tem sido extremamente difícil. Estou há meses em casa a pensar todos os dias em mudar e pouco mudou externamente, mas agora percebo que foi preciso este tempo de batalha para perceber porque não estava a conseguir emagrecer - porque tinha que mudar o minha mentalidade sobre o excesso de peso, sobre a minha imagem, tinha que ir a praia com a minha barrigota e tinha que me tentar libertar estando como estou, porque afinal eu não sou um corpo e não será um corpo que tem o poder de deitar a minha mente abaixo e só quando isto aconteceu é que os episódios de compulsão alimentar começaram a cessar, é que comecei a conseguir dizer não ao meu desejo e impulso por comida que não me alimenta cheia de químicos e processados e comecei a conseguir um equilíbrio, e quando isso aconteceu libertei-me e voltei a exercer poder sobre mim própria, algo perdido há demasiado tempo.
Portanto sim temos que aceitar-nos como somos e estamos mas com consciência, se estamos mal perceber o que nos põe mal, porque estamos como estamos e o que podemos fazer quanto a isso, e não pois se há desconforto é porque temos que mudar algo e essa acção só depende unicamente de nós! Não há milagres infelizmente e quem me dera deitar e amanhã não ter estes peso todo, mas eu construí-o, foi a minha responsabilidade, assim como também o é desconstruir para construir o melhor de mim e se estamos bem simplesmente desfrutar desse bem estar!

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